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sábado, 17 de maio de 2025

O PÊNDULO DOS TEMPOS: IDAS E VINDAS DOS EXCESSOS TEOLÓGICOS




Por Pe. Murah Rannier Peixoto Vaz

            A história sempre é cíclica e tem uma oscilação do pêndulo da história de um extremo a outro. A filosofia nos mostra que o caminho do meio é o caminho do equilíbrio. Não devemos estar nos extremos. Também a teologia nos fala que aquilo que falta ou aquilo que passa pode gerar pecado. Demais ou de menos pode ser uma realidade problemática em nossa vida.

Antigamente, havia uma forte influência de uma teologia da libertação de linha teológica de índole marxista e ela ainda existe. Ainda que com menor força e expressão, mas com ferrenhos defensores ainda. Por outro lado, hoje há alguns grupos de católicos sem maior profundidade em algumas áreas teológicas da Igreja que veem teologia da libertação em tudo. Basta citar algo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja e já vão dizer que aquilo é teologia da libertação, que a pessoa que está afirmando o que nele está contido é de esquerda, etc. Puro desconhecimento do rico tesouro da Doutrina Social da Igreja, contido dentro desse Compêndio.

 



O Compêndio da Doutrina Social da Igreja é um documento que reúne e sistematiza os ensinamentos da Igreja sobre questões sociais, políticas e econômicas, com o objetivo de fornecer uma base para a reflexão e ação dos cristãos no mundo, em vista de construir uma civilização do amor. A sua criação foi inspirada por São João Paulo II, que desejou uma compilação clara e acessível da Doutrina Social da Igreja. O Compêndio foi elaborado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz e publicado em 2005, aprovado pelo Papa. 

Alguns que se situam nesse âmbito mais crítico sobre qualquer questão toque o termo “social” até chegam em sua ignorância a dizer que o "Não existe pecado social. Existe pecado pessoal". Sim, de fato, os pecados são pessoais, é sempre uma pessoa que peca, mas os pecados das pessoas podem gerar estruturas de pecado, que constituem um pecado social e que induzem e até influenciam as pessoas pecar. Portanto, existe sim o pecado pessoal e também o pecado social gerado por ele. Uma coisa é certa, ninguém é fruto do meio, mas o meio influencia sim a pessoa e induz a sociedade para o bem ou para o mal. Sobre isso, afirma o Catecismo:

Assim, o pecado torna os homens cúmplices uns dos outros e faz com que a concupiscência, a violência e a injustiça reinem entre eles. Os pecados dão origem a situações e instituições sociais contrárias à bondade divina. 'Estruturas de pecado' são a expressão e o efeito de pecados pessoais. Elas levam suas vítimas a praticar o mal, por sua vez. Em sentido análogo, constituem um 'pecado social' (Catecismo da Igreja Católica, Nº 1869).

 

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja fala que:

Alguns pecados, ademais, constituem, pelo próprio objeto, uma agressão direta ao próximo. Tais pecados, em particular, se qualificam como pecados sociais. É igualmente social todo o pecado cometido contra a justiça, quer nas relações de pessoa a pessoa, quer nas da pessoa com a comunidade, quer, ainda, nas da comunidade com a pessoa. É social todo o pecado contra os direitos da pessoa humana, a começar pelo direito à vida, incluindo a do nascituro, ou contra a integridade física de alguém; todo o pecado contra a liberdade de outrem, especialmente contra a suprema liberdade de crer em Deus e de adorá-l’O; todo o pecado contra a dignidade e a honra do próximo. Social é todo o pecado contra o bem comum e contra as suas exigências, em toda a ampla esfera dos direitos e dos deveres dos cidadãos. Enfim, é social aquele pecado que «diz respeito às relações entre as várias comunidades humanas. Estas relações nem sempre estão em sintonia com a desígnio de Deus, que quer no mundo justiça, liberdade e paz entre os indivíduos, os grupos, os povos» (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Nº 118).

 

 



 

Quanto à questão da política, é bom lembrar que “tudo é política, ainda que a política não seja tudo”. Quando nos posicionamos enquanto Igreja contra o aborto, contra a ideologia de gênero, contra o racismo, a discriminação social, ou outras realidades que ferem os valores do Evangelho, estamos sempre fazendo política. Pois isso também é política pública, essas realidades demandam leis a favor ou contrárias. Esperamos que sejam contrárias. Também ocorre o mesmo, mas em sentido positivo, quando nos posicionamos a favor da família, da vida, dos direitos humanos, do trabalhador, na defesa do meio ambiente, etc. Por isso, todo posicionamento não é mera defesa teológica da fé, mas também um posicionamento social e político. E defender esses valores à custo da perseguição, difamação, deboche, é também assumir a missão de Cristo e da Igreja de transformar a sociedade de dentro dela, à exemplo da parábola do fermento que leveda a massa e a muda. Tão pequeno e que a faz crescer, fazendo a diferença inserido dentro dela.

Diante do risco de interpretações equivocadas e críticas injustas, devemos estar atentos às filigranas de termos teológicos, ou seja, os pequenos detalhes que fazem toda a diferença na interpretação e no sentido daquilo que se combate ou defende. Concordo com a reflexão, sou contrário à TL de índole marxista, mas não podemos ficar vendo esse modelo de Teologia da Libertação em qualquer termo ou ação que vise a justiça social, descuidando daquilo que também faz parte do mais básico do Evangelho que é a prática da caridade e a busca de transformação da nossa realidade. Olhar para a "cidade de Deus", sem perder os olhos da "cidade dos homens" (Cf. Sto. Agostinho), ou seja, buscar as coisas do alto, mas sem descuidar das nossas responsabilidades e da missão de amar e servir os mais pequeninos de Jesus. 





Jesus assumiu tudo que era próprio da nossa realidade humana. Como diz a teologia, "Só pode ser redimido aquilo que é assumido". Não há como olharmos realidades que firam a dignidade do ser humano e ficarmos de braços cruzados a assistir. Sem descuidar da Salvação, precisamos também lutar para transformar essas realidades ou ouviremos do "Divino Mestre": ""Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’. "Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos?’ “Ele responderá: ‘Em verdade vos digo: O que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’ (Mt 25, 41-45).

 


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Quanto tempo é necessário viver para se tornar inesquecível?






Heather e Patrick Walker são um jovem casal que recebe com total felicidade a notícia de que eles iam ser pais, um terceiro filho estava a caminho e seria um menino. A ilusão da gravidez encheu de felicidade para a mulher que esperava ansio...samente a seu pequeno, mas a história tomou um rumo inesperado quando, depois de testes em 16 semanas de gestação os especialistas informaram os futuros pais que seu pequeno sofria de anencefalia, uma doença congénita que impediria sobreviver após o nascimento.




A família teve tempo para se acostumar com a idéia de que pelo menos compartilhariam o tempo de gestação com seu pequeno e o dia do seu nascimento seria um grande evento onde também teriam a oportunidade de dizer adeus a ele. Por isso, contactaram uma organização sem fins lucrativos chamada "Now I Lay Me Down To Sleep" para que um fotógrafo profissional participasse do nascimento da criança e registrasse as imagens deste dia especial, para nunca mais esquecê-lo e vivê-lo da maneira mais íntima e amorosa possível .


O bebê nasceu em 15 fevereiro de 2012 em Memphis Tennessee, recebeu o nome de Grayson James Walker e viveu apenas oito horas após o nascimento. O pequeno sofria de uma doença congênita que dá poucas expectativas de vida, pois a anencefalia é uma doença congênita que afeta o cérebro e a configuração individual dos ossos do crânio que rodeiam a cabeça. No entanto, o tempo em que ele viveu após o nascimento foi um dom da vida que os seus pais aproveitaram para ter momentos mais que especiais com seu filho, já que tiveram a oportunidade de beijá-lo, abraçá-lo e dar-lhe o seu primeiro banho juntos no quarto do hospital .

Toda a história é comovente e reflete um amor eterno desses pais pelo seu bebê, por isso é difícil entender por que depois Heather foi censurada quando fez o upload (a postagem) de imagens do seu pequeno já falecido para o Facebook a fim de compartilhar com suas famílias e amigos, todo o álbum de fotografias foi deletado sem aviso ou explicação e, em seguida, a sua conta pessoal na rede social foi fechada e apagada. A mulher explica:


"Pouco depois o Facebook apagou as fotos, devido ao conteúdo. Eles permitem que as pessoas postem fotos quase nuas, palavrões e outras coisas, mas eu não estou autorizada a compartilhar uma foto da bela criação de Deus".

As políticas desta comunidade virtual indicam que se deve respeitar certas normas da comunidade, por isso podem remover as informações consideradas ofensivas nas categorias de nudez e pornografia, violência gráfica, discurso de ódio, flagelação, violência, intimidação e ódio, invasão de privacidade, propriedade intelectual, material indesejado, é por isso que os pais não entendem dentro de qual dessas categorias podem ser colocadas as fotos do menor de seus filhos, algo que os entristeceu profundamente já que tinham a intenção de que a maior quantidade possível de pessoas soubessem que seu filho passou por este mundo.



Nas palavras de seu pai :


"Meu filho viveu por quase oito horas, e fez nesse curto espaço de tempo o que eu jamais poderia ter feito mesmo em uma centena de vidas. Isso é incrível. "


Traduzido por Murah Rannier Peixoto Vaz

Texto extraído de: http://pequelia.es/75975/facebook-censura-a-una-madre-que-subio-fotos-de-su-bebe-con-anencefalia/






sexta-feira, 23 de novembro de 2012

FESTA DE CRISTO REI - FESTA DE TODA A HUMANIDADE REDIMIDA



Murah Rannier Peixoto Vaz
 
Neste domingo, 34º do tempo comum, a Igreja encerra seu calendário litúrgico com a festa de “Cristo Rei do Universo”.

A realeza e a soberania de Jesus são inigualáveis, seu poder e autoridade estão a serviço de todos, de modo preferencial, mas não exclusivo, dos pequenos, dos pobres, dos fracos e excluídos da sociedade.

Jesus é um Rei-Pastor, rei pobre, humilde, que não vem para ser servido, mas para servir. Nisto consiste todo o esplendor do Cristo Rei: os menores serão os maiores e os maiores serão os menores em Seu Reino messiânico. Tal Reino já foi instaurado e está no meio de nós, ainda que não em sua plenitude e, infelizmente, possua luzes e trevas, avanços e retrocessos, mas é o Reino de um povo a caminho, o “povo de Deus”, povo peregrino que sabe aonde quer chegar e por onde deve passar. Celebrar Cristo Rei é celebrar a festa de toda a humanidade redimida que, pelo batismo, foi enxertada no Cristo e hoje é parte de seu corpo místico (a Igreja) que se estende sobre toda a terra.
 
 


ORAÇÃO
 



Senhor e Rei de minha vida,

Vos peço, jamais me abandones,

Estejas sempre comigo

e ajuda-me a permanecer em Ti.

Só a Ti pertencem a honra, glória e poder,

sabedoria, louvor e divindade.

 

Tua bondade supera todo o entendimento.

Entrego a Ti toda a soberania

para que reines em minha vida

e governe-a.

Tu és o meu tudo,

em Ti repousa a minha esperança.

 

Da indigência retiraste-me,

ergueste-me da miséria que outrora fora

para enriquecer-me com o Teu amor.

Arrancaste-me das cadeias de meu egoísmo,

quebraste-me o grilhão do individualismo,

libertaste-me de meu narcisismo.

 

Mas, sempre outra vez,

sou necessitado que Tu venhas

e resgate-me, de novo e de novo,

para reconduzir-me ao Teu caminho,

à Verdade plena e à fonte de vida.




Obrigado, Senhor, pelos dons que me concedes.

Ajuda-me a estar a serviço, a ser serviço,

doação e entrega pelo irmão.

Em Tua Igreja antevemos e gozamos das primícias do Reino,

Participamos de Vosso banquete Eucarístico,

Nele recebemos o Teu corpo dado e o Teu derramado.

 

Inquieto estava o meu coração,

até encontrar e experimentar da Tua amizade e do Teu infinito amor.

A Teu exemplo, prevaleça o altruísmo.

Olhando a Ti, indica-nos Teus gestos de caridade.

Resplandeces, Senhor, Tua face amorosa sobre a terra,

renova-a, a começar por mim...

 

Dignifica-nos, Senhor,

faz-nos melhores,

e leva-nos a contemplar-vos na Santíssima Trindade.

Dá-nos vê-la face a face

e a participar do banquete eterno

do Teu Reino.

 
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

LIBERDADE PARA AMAR


 

Murah Rannier Peixoto Vaz


Caminho... pés descalços sobre o chão

As pedras ferem-me os pés, mas não me causam dor

De suas feridas brota amor

O pó da terra fecundado pelo melaço que jorra

Torna-a fértil

Que a vida que aqui irrompe viceje

Produza frutos e alimente bocas

Bocas que não se fecham

Em meio a tanta fome de justiça e de pão.

 

Mesmo as árvores mais centenárias

Um dia cumprem seu erário

Voltando definitivamente a ser uma só com a mãe terra

Como também nós que, ao fim de tudo, somos pó

Dele viemos, a ele voltaremos

Pois a esta vida nada trazemos e nada levaremos

 

Caminho... pés descalços sobre o chão

Em busca de associar-me à terra

Numa ânsia de nela enraizar-me

Para que uma relação mutualista

Possamos partilhar.

Que os frutos produzidos arrebentem suas vagens

E que o irmão vento se encarregue de as sementes levar

Essas também nasçam, cresçam, floresçam

E Produzam novos frutos

 

E o que resta afinal?

Um solo fértil, uma floresta esplendorosa

Contendo os frutos e as sementes

Da única coisa em nós que permanecerá...

Ah, bendito melaço derramado

Bendito aquele que se doa!

Jamais morrerá, eternizar-se-à em seus frutos de amor.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A RELAÇÃO DE AMOR ENTRE DEUS E A HUMANIDADE COMO MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA

Murah Rannier Peixoto Vaz

A graça pressupõe uma relação e isso, de um ponto de vista existencialista e fenomenológico, requer a existência de: dois sujeitos (cuja subjetividade não é destruída pela relação); da gratuidade (relação não interesseira e nem obrigatória, mas livre); um dos dois sujeitos pode dar origem à relação sem que o outro perca a liberdade; o amor é mais do que as suas manifestações (não pode ser reduzido a atos somente); o fruto do amor é o amor: amo porque amo.
Contudo as relações humanas de amor são limitadas e imperfeitas, por causa da mancha do pecado que causa vícios nas relações: interesses, busca de retribuições, egoísmos, etc. Diferentemente das relações trinitárias, que são perfeitas, gratuitas e sempre correspondidas. Estas últimas são referência como verdadeiro modelo de uma relação de amor, ainda que jamais alcancemos plenamente este modelo aqui, neste mundo.
Na relação de um sujeito com outro surge um terceiro elemento, distinto de ambos e que os põe em relação de comunhão. Tal elemento é o próprio amor, a graça, que como relação amorosa é a forma como Deus habita e se comunica a nós. Ou seja, o amor (O) surge entre a pessoa A e a pessoa B (A O B), mas o amor não é A e nem B, mas é uma realidade que une e gera comunhão entre os dois.
Nos evangelhos São João Evangelista é quem mais expressa essa visão de relação de amor intratrinitário. Deus é amor e desde sempre é amor. O amor requer sempre o outro, o amado, então desde sempre Deus não está sozinho, mas vive em relação com o Filho. Como amor nunca é simplesmente dual, mas sempre está aberto ao outro, há nessa relação um terceiro elemento responsável pela comunhão do Pai e do Filho: o Espírito Santo, que desde sempre é manifestado pela relação do Pai e do Filho. Sendo amor que é amor em si mesmo, tudo o que Deus faz é amor, pois Deus não pode não amar, porque Ele não pode não ser.
São João evangelista também apresenta a existência de uma relação de amor de Deus pela humanidade, responder a esse amor e permanecer nele é forma de permanecer na graça. De tal modo, romper com essa relação seria romper com a própria graça. Assim, Deus ama por primeiro, mas o amor chama ao amor, exige uma resposta, a adesão livre ao amor primeiro de Deus. Quem ama conhece a Deus e é gerado por Ele, ou seja, torna-se nova criatura, torna-se filho no Filho. Aqui ocorre uma transformação que provoca a passagem da morte para a vida pelo amor.
Deus tanto amou a humanidade que enviou seu próprio Filho para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna. Crer supõe conhecer, seguir aquilo que se conhece supõe identificação e identificação leva a uma imitação das atitudes daquele com quem se identifica. Identificar-se com Jesus é mais do que cumprir preceitos, mas é permanecer na relação, viva, atual e dinâmica, que leva a agir como Jesus, dando a vida e amando segundo a verdade. Assim, movidos pelo Espírito, Jesus permanece em nós e nós nele e, por resposta de adesão ao amor, nessa relação guardamos sua palavra e seus preceitos, colocando-nos no caminho da Via Crucis seguimos confiantes de que o amor não nos abandonará e ao fim nos cumulará como co-herdeiros da graça e da herança eterna.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A PALAVRA É "INDIGNAÇÃO"


Em momentos como o vivido hoje é que somos testados e vemos o quanto ainda temos a crescer nesse caminho de não-violência. Depois de assistir ao Jornal Nacional me vi em uma tal indignação com o lamentável massacre ocorrido no Rio de Janeiro, que me pego a refletir quanto a paz que tanto buscamos e a ira que, as vezes, é despertada em nós mesmos. Há quase um clamor interior em cada um de nós, que não clama por perdão, pela lei do amor, mas pela lei do Talião: o velho “Olho por olho, dente por dente”.
Mas ainda assim, Cristo diz: “Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem”. Palavra difícil, dura de viver, o amor que Cristo nos pede é um amor até a dor. E como dói amar o inimigo, amar aqueles que nos fazem o mal. Mas Cristo também se opõe a agressão: "Se falei mal, mostra-me em que; mas se falei bem, por que me bates?(Jo 18.23)" Entretanto, ele não revida a agressão e depois de tantos outros sofrimentos e de estar a ponto de expirar, ainda diz: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lc 23.34).
Confesso que se estivesse na pele de um dos pais, irmãos, parentes, ou mesmo perto do local, e o cara ainda estivesse vivo, não sei qual seria minha real atitude diante do fato. Digo que por hora, encontro-me, enquanto ser humano, indignado e me sentindo totalmente violentado. Isso é algo que atinge não só as famílias envolvidas, mas todo o nosso povo, inclusive a mim e a você que lê este texto. Porque são de maus exemplos como este e da má atitude desse rapaz, entre tantos outros maus exemplos (diria até mesmo, pecados), é que podem surgir novas situações como essa, devido a outras pessoas que talvez se encontrem incubados planejando algo assim e podem vir a se espelhar em tão trágico fato, como o dessa chacina., pois o mal contamina as estruturas humanas É difícil rezar por esse rapaz, depois de todo o mal que causou. Que Deus me ajude a converter meu coração.
Rezemos e torçamos que não ocorram mais situações como essa.
Às famílias, nossos sentimentos e orações.

sábado, 4 de dezembro de 2010

CAMPANHA DE VALORIZAÇÃO DO IDOSO



Aécio Neves lançou uma interessantíssima campanha de valorização do idoso com o apoio do cantor Zezé di Camargo. Nela Zezé recita em versos a tão conhecida música Couro de boi, onde o filho, por insistência da mulher, pede ao pai para deixar sua casa, pois não conseguem se combinar. Parafraseando a música, o filho dá ao pai um couro que acabou de curtir para seu pai se cobrir aonde ele ir.
Porém, o neto de oito ano, triste e calado, corre em direção ao avô com lágrimas nos olhos e lhe pede metade do couro, o avô comovido lhe dá e ele volta pra casa. Lá é interpelado pelo pai que lhe pergunta o que queria com o couro qua havia dado ao seu avô. O menino então lhe diz que podia ser que quando ele crescesse e seu pai ficasse velho, o pai iria com ele morar, poderia ser que os não iriam se combinar, então aquele pedaço de couro ao seu pai iria dar.
O interessante da campanha é que ela se torna profunda e de um grande reflexão, porque usa do cancioneiro regional, que interliga a cultura não só de Minas Gerias, mas de todo a região Centro-Oeste. Inclusive com marcante presença na cultura goiana.
Quiçá, consigamos respeitar e cuidar de nossos velhinhos alquebrados pelos anos e cheios de experiências que a vida lhes concedeu, e com os quais muito podemos aprender!


Outro vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=v7hrWz-_12g&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=PwdOgP2Yngw&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=F8SOVBGdOoI&feature=related

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

MATRIMÔNIO - NECESSIDADES DE UMA BOA PREPARAÇÃO


UMA LEITURA E APLICAÇÃO DO DOCUMENTO DE PREPARAÇÃO PARA O MATRIMÔNIO


Murah Rannier Peixoto Vaz



  Como diria Pe. Zezinho: “Que nenhuma família comece em qualquer de repente...” Para tanto, o “curso de noivos é definido como tempo forte e especial da preparação para o casamento e a vida familiar. Situa-se dentro de um amplo quadro de esforços da Pastoral Familiar pré e pós-matrimonial” (Familiaris Consortio n. 66). O documento do Conselho Pontifício para a Família, “Preparação para o Sacramento do Matrimônio”, tem como ponto de partida a seguinte questão: “Quem contrai o matrimônio está realmente preparado para isso?” 

Em tempos de secularização em que já não encontramos tantos testemunhos dados pelos pais aos filhos na vivência do matrimônio, bem como, em tempos de mudanças na sociedade moderna, de perdas do sentido de Deus, do amor esponsal e negação da Verdade de Deus, faz-se necessário uma preparação adequada para que os noivos, em meio as dificuldades ambientais hodiernas encontradas, consigam superá-las reconhecendo o valor do sacramento e também da vocação ao matrimônio, assumindo as responsabilidades dos mesmos adquiridas no momento de seu consentimento no ato da liturgia sacramental. 

A estrutura do documento em seu primeiro capítulo quer ressaltar a importância da preparação para o matrimônio cristão. Já o segundo capítulo aprofunda-se no itinerário de preparação com suas diversas etapas ou momentos. Por fim, o terceiro capítulo aborda a celebração do matrimônio com o significado da liturgia, do rito, de seus símbolos, para preparar bem este momento, afim de que seja bem vivido, com a participação efetiva dos fiéis e, especialmente dos noivos, os ministros desse sacramento, para que celebrem com atenção e diligência esse momento que é o cume do caminho de preparação percorrido pelos noivos e de onde nasce a vida conjugal. 

O documento visa, portanto, a preparação para o matrimônio e a sua celebração. Esse objetivo é proposto através de um itinerário de preparação para o sacramento do Matrimônio apresentado, como visto, no segundo capítulo. No entanto, do que se trata esse itinerário? Trata-se de etapas de uma preparação progressiva e gradual para o matrimônio. São elas: preparação remota, próxima e imediata.


PREPARAÇÃO REMOTA

A primeira é aquela que desde a infância ainda no ambiente familiar os pais educam e colocam as bases sólidas para uma personalidade verdadeiramente madura e os alicerces da vida cristã para não só enriquecer a vida cristã, mas também transformar a sociedade. Essa primeira fase também é realizada na catequese, na preparação à primeira Eucaristia, nas reuniões com crianças em escolas, buscando temáticas que já na tenra infância preparem as crianças para o amadurecimento pessoal e, ainda que remotamente, a vivência do matrimônio e da família.

PREPARAÇÃO PRÓXIMA

Nessa etapa é importante o trabalho na turmas de crisma, nos grupos de adolescentes e jovens, pois nesta etapa já se está em um momento de preparação mais próxima para o casamento e a vida familiar. As reuniões desses grupos são momentos propícios para abordar os adolescentes e jovens sobre a reflexão da temática do casamento, o sentido da sexualidade humana, a grandeza do matrimônio, a indissolubilidade e fidelidade. Como em nossos dias muitos desses adolescentes jovens não vivem mais em famílias bem constituídas e devido à influência do ambiente generalizado de desrespeito para com a família, muitas vezes promovido pelos meios de comunicação social, será necessário insistir na questão da responsabilidade e do compromisso que envolvem a decisão do casamento. Este será momento propício de reflexão sobre a questão da vocação matrimonial, como também dos caminhos possíveis do sacerdócio e da vida religiosa consagrada.


Neste período, sobretudo no tempo do namoro firme, é importante que a pastoral promova dias de reflexão ou de encontro para namorados firmes. Que se estimule a vivência do verdadeiro sentido do noivado cristão, com uma possível celebração no final de um dia de reflexão e de oração, ou mesmo com as famílias dos noivos. A própria liturgia prevê hoje alguns ritos para o gesto e compromisso do noivado. Trata-se de um momento forte de um catecumenato matrimonial. A Pastoral Familiar deverá também promover cursos sobre educação para o amor. Se faz necessário tanto nas escolas junto a alunos e professores, quanto em outros ambientes, oferecer esclarecimentos a respeito da vocação humana, do sentido da vida, de uma orientação existencial na linha do amor que é dom de pessoa a pessoa e não simplesmente busca de si no outro. Frisa-se que um grande número de jovens, namorados ou não, têm intensa vida sexual sem compromisso algum de pessoa para com pessoa, torna-se mister recordar o uso indiscriminado de anticoncepcionais e mesmo a prática do aborto, e reorientar esses jovens para a autêntica vivência de uma relação de namoro.Visa-se através dessas iniciativas superar uma das grandes deficiências de nosso tempo que é a ausência de um projeto de vida a dois, de vida familiar e de vida espiritual conjugal e familiar com.


PREPARAÇÃO IMEDIATA




Nesta altura da caminhada pastoral é que se situa o curso ou encontro de noivos, objeto desta publicação. Teoricamente ele está situado no final da preparação próxima e no início da preparação imediata. Esta etapa compreenderia o diálogo com o sacerdote, a preparação espiritual imediata com os noivos, a pastoral da própria celebração do sacramento, precedida, eventualmente, de um retiro espiritual e de uma celebração do sacramento da confissão. A etapa próxima para a formação de autênticas famílias, é uma missão prioritária da Igreja, na qual todos os fiéis envolvidos no trabalho devem cooperar com empenho e dedicação, segundo as suas próprias condições e vocações, objetivando alcançar os mais fecundos e melhores resultados. Só na medida em que esta preparação remota e próxima se fizer a Igreja terá casais e famílias sólidos, verdadeiras “Igrejas Domésticas” que anunciam e vivem o Evangelho de Cristo, tanto com a palavra quanto com o testemunho, colaborando e ajudando a edificar um mundo mais humano e fraterno, e cultivando com maior intensidade, o direito, a justiça e a caridade cristã.


Para tanto, é necessário que bem antes dessa fase as dioceses, paróquias, comunidades cristãs e escolas coloquem elementos de uma preparação remota a fim de transformar a realidade do casamento e da família. Já o curso de noivos para jovens que estão num processo de busca da verdade, da maturidade, da fé e de Cristo, terá outro sentido, buscando promover um bom conhecimento do que, de fato, é o matrimônio cristão, seu significado, o que o sacramento constitui na vida do casal, o que é o consentimento, quais são as responsabilidades advindas do sacramento do matrimônio, compromisso público assumido diante de Deus e da sociedade. Esse documento torna-se, portanto, um importante subsídio com orientações práticas, para que sejam aplicadas em diversos âmbitos e pastorais da paróquia com todas as fases, daí a importância de se reunir e envolver, em espírito de uma pastoral orgânica e de conjunto, os grupos de Cursos de Noivos, Cursos de Batismo, Pastoral Famíliar, Grupos de jovens, catequese etc, para que unidos se aprofundem no conteúdo do processo de formação para o matrimônio e iluminem a ação das Equipes em seu essencial esforço de preparação dos novos casais para que vivam o verdadeiro sentido do matrimônio.