sexta-feira, 12 de novembro de 2010

TRINDADE: CONVITE À COMUNHÃO


Andrei Rublev (c.1370-1430), ícone da Trindade


Murah Rannier Peixoto Vaz
O filme “Andrei Rublev”, do diretor Andrei Tarkovsky, gravado no ano de 1966, é ambientado na Rússia do início do séc. XV. Destacam-se entre os personagens três monges: Danila, Cirilo e Andrei, que no filme é biografado de forma romanceada e até mesmo poética. Em torno deste último é que o filme se desenvolverá e em torno de quem as cenas e todos os diálogos giram. Andrei vive em constante conflito interno devido a uma não aceitação do juízo final como uma cena de medo, mas entende-a como uma cena de amor, de acolhida.
Assim como Andrei se questiona, o filme quer levar seus espectadores a se questionarem sobre: Qual imagem de Deus eu tenho? Qual é a minha imagem de juízo final? A partir dessas questões surgem outras: Que imagem de Deus e do juízo final eu apresento aos outros? Que tipo de fé vamos colocar na Igreja? Em que consiste o julgamento?
Ao questionarmos sobre que imagem de Deus estamos oferecendo, convém refletirmos sobre que imagem de Deus nós cremos. Se uma imagem de um Deus amoroso, um Deus Pai misericordioso e acolhedor, ou se cremos e apresentamos um Deus contabilista, que provoca medo, que anota os pecados para nos cobrar, um Deus vingativo, que pune e castiga.
Alguns dos diálogos do filme são de imensa profundidade ao analisar tais questões. O monge iconógrafo, Andrei, em um dado momento do filme, faz a seguinte afirmação: “Só tem medo quem não ama”. Esta será sua grande dificuldade, porque não consegue pintar o quadro do juízo final aos moldes como era pintado por outros pintores e iconógrafos.
Um dos ajudantes de Andrei quando era torturado pelos tártaros disse: “Deus fará suas tripas arderem no fogo da Geena”. Será mesmo que Deus faria algo assim? Pouco depois os tártaros despejam um líquido fervente em sua boca e assim o filme mostra que uma atitude tal como essa é possível aos homens, mas não pode ser atribuída a Deus.
O filme aborda reflexões sobre o mal, o sofrimento e a dor. De onde elas viriam, poderiam vir de Deus? De Deus não pode vir o mal, porque este, justamente, só existe em razão da ausência de bem ou do afastamento do bem. Do mesmo modo como as trevas e a escuridão só existem em decorrência da ausência de luz. Conseqüentemente, o mal só pode vir do próprio homem ao fazer o mau uso de sua liberdade, dádiva concedida por Deus.
“Massacram (...), violam (...), saqueiam (...)”, segundo Andrei, estes são os modos como os homens agem. Prosseguindo em seu diálogo, Andrei conta a Feafan um sonho que tivera e relata a fala de um tártaro, que assim se refere aos homens: “Mesmo sem nós, dareis cabo uns dos outros, como lobos”. Nessa fala percebe-se uma visão pessimista e negativa do homem, percebe-se também que o mal não surge apenas de uma nação contra a outra, um povo contra o outro, mas parte do próprio homem em suas relações. Como visto no momento em que, por ciúmes, Cirilo abandona o mosteiro e se volta contra os monges. Logo após, ele descarrega todo o seu ódio no pobre cachorro que correu para acompanhá-lo, ou como, por exemplo, na rivalidade entre os dois príncipes, que são irmãos. Aqui, possivelmente, evoca-se a imagem de Caim e Abel.
Porém, diferentemente do que diz o tártaro, há no homem certa ambigüidade, como nessa fala de Andrei: “(...) Alguma coisa que não te sai ou estás cansado, e eis que encontras um olhar humano e é como se tivesse comungado, ficado mais leve. (...)”. De fato, cre-se que também a salvação passa pelo próprio homem e é Cristo quem apresenta ao homem a verdadeira humanidade, faz-se, ele mesmo, o Verbo divino incriado, carne, ou seja, torna-se um igual a nós, menos no pecado, e arma sua tenda em nosso meio, caminhando conosco nos convida a irmos com ele ao Pai, pela ação do Espírito.
Voltando à questão da imagem de Deus e do juízo, Cirilo ao travar diálogo com Feafan sobre as obras de Andrei faz a seguinte observação: “Falta-lhe qualquer coisa, falta-lhe o medo, a fé.” Assinala-se aqui a incompreensão da visão amorosa de Deus que tem Andrei. Em outro momento, o próprio Andrei ao travar uma conversa com Feafan, lhe diz: “Se apenas se apelar para o mal, nunca haverá felicidade perante Deus.” Danila insistindo com Andrei para que este pinte logo o quadro do juízo final, lhe diz: “É só pintar. (...) Estamos a perder um tempo ótimo! Quente e seco! Há muito teríamos acabado a cúpula e os pilares. Com cores fortes e expressivas! Com pecadores a arder no inferno... de maneira a provocar arrepios. Imaginei cá um diabo! Assim, a fumegar pelo nariz.” Andrei o interpela: “O problema não está no fumo (fumaça)! Vai contra mim. Dá-me nojo! Não quero assustar o povo. Compreende-me, Danila!” Crendo que o visível nos faz contemplar o invisível e que ele torna-se uma janela por onde se entrevê o absoluto, Andrei não acredita em uma tal imagem de Deus e do juízo, como as propostas por Danila, e prefere não pintar a ser incoerente consigo mesmo.
No entanto, em um momento de reflexão, Andrei se levanta e diz: “É uma festa”. Esta é a conclusão à qual chega o pintor, esse é o juízo! Anos mais tarde, Andrei pinta o ícone da Trindade, tomando a releitura que os padres da Igreja fizeram dos três anjos sob o carvalho de Mambré, como relatado no Antigo Testamento. Andrei pinta-os com uma idêntica fisionomia, sentados a mesa, com um dos lados desocupado, justamente aquele que está diante da pessoa que observa o ícone, como que convidando-o para participar do banquete da Trindade. Sob a mesa está o cálice e o convite é para a vivência da comunhão, para a vivência de um profundo amor. Essa é a concepção de juízo para Andrei, um Deus que convida à comunhão, que não pode obrigar seus filhos a ela, por tê-los dado a liberdade, o inferno será ficar de fora dessa festa e o que ocorre se dá pela livre rejeição do convite divino. Assim compreende-se também que imagem de Deus Andrei quis apresentar em seu ícone.
Nas primeiras cenas do filme vê-se um homem que constrói um balão e alça vôo, sobe alto, de lá vê pessoas, animais e campos, porém ele cai. Creio que essa seja uma maneira simbólica de tratar a vontade de transcendência do homem, vontade de ir além de si mesmo, de atingir o infinito. Que, todavia, ao tirar Deus de cena, ou seja, querer transcender por si mesmo, deixando Deus de lado e negando-o, acaba por cair (pecado), desabando como um castelo de cartas de baralho, porque é um ser limitado e só chega a uma verdadeira transcendência a partir do convite divino e por meio d’Ele. Conclui-se, que o desejo de transcedência humano só se torna efetivo quando o homem consegue compreender a grandeza de um Deus que lhe convida a sentar-se e comer com Ele, elevando-o a condição de igualdade, em uma vida de comunhão fraterna. O convite é d’Ele, a resposta é sua!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

DESENVOLVIMENTO PROGRESSIVO DO ANO LITÚRGICO.



Murah Rannier Peixoto Vaz
1 - A Páscoa semanal: princípio de toda a liturgia cristã.
O ano litúrgico foi se desenvolvendo no decorrer da história da Igreja, não de maneira orgânica e sistemática, mas de forma gradual e lentamente. A princípio a páscoa semanal constituía o único centro da pregação, da celebração e da vida cristã. De tal modo, o “culto na Igreja nasceu da Páscoa e para celebrar a Páscoa”, pois ela é um evento que resume e faz valer todo o conjunto da vida e obra salvífica de Cristo para a nossa salvação.
Conseqüentemente, com a ressurreição de Cristo no primeiro dia da semana, o Shabat (sábado), que para os judeus era dia de santificação, repouso e oração, se desloca para o primeiro dia da semana, que também passa a ser chamado de primeiro dia da nova-criação e oitavo dia da criação e é denominado como domingo (dies domini), o dia do Senhor. E este se torna a espinha dorsal de todo o ano litúrgico.

Portanto, o domingo como dia da celebração do mistério Páscal, torna-se também:
1 - Dia da Páscoa: dia de memória e presença do Cristo, morto-ressucitado, de sua ascensão, da efusão do Espírito, e da esperança em sua vinda gloriosa.
2 - Dia da assembléia: dia de reunião dos fiéis. “Onde dois ou mais estiverem em meu nome eu aí estarei.”
3 - Dia da Eucaristia: é dia de ouvir a Palavra, entrar em comunhão com o Cristo, com seu ápice no sacramento, essa comunhão e a Palavra que ressoa em nossos ouvidos e no coração nos impulsiona ao serviço. Sendo dia da Eucaristia, é também dia de santificação dos homens e da glorificação de Deus.
4 - Dia da missão e da caridade: é dia de assumir a missão de Cristo: “Tive frio e me agasalhastes...”; “O Espírito do Senhor está sobre mim, e ele me ungiu e me enviou...”. Assim, a Eucaristia, celebrada no domingo, é um ponto de chegada, mas também de partida, pois não se esgota dentro das paredes do templo, mas impele o cristão para o testemunho com a vida e o serviço de caridade.
5 - Dia da alegria: é dia da festa das festas, pois Cristo venceu a morte e deu-nos vida por sua morte.
2 - A Páscoa Anual: Núcleo do Ano litúrgico.

Para uma maior exaltação do dia da Páscoa, já nos primeiros tempos foi se entendendo a necessidade de uma grande celebração da Páscoa Anual e, daí por diante, passo a passo, foi se dando início a um movimento litúrgico que foi inserindo e distribuindo no decorrer do ano civil as festas do Senhor, dos santos, dos mártires, da Mãe de Deus, insere-se o ciclo natalino etc.
Assim, da celebração anual da Páscoa surge um grande dia de vigília, da passagem de Cristo da morte para a ressurreição. Em torno desse núcleo, que é a Páscoa, aos poucos foi se inserindo e se formando o Tríduo Pascal, que celebra a morte (sexta-feira santa), o sepultamento (sábado santo) e a ressurreição (domingo de aleluia com a grande vigília). Posteriormente, ainda foi inserida, como um prolongamento da festa Pascal, os cinqüenta dias do tempo pascal até o dia de Pentecostes. E com o passar dos séculos novas formas de liturgia e celebração vão sendo inseridas no ano litúrgico. Ali pelo século III, inseriu-se o batismo na noite da vigília pascal; no século IV nasceu a semana santa e foi inserida, na manhã da quinta-feira santa, uma reconciliação dos penitentes; já no século VII, foi inserida a missa do Crisma e, posteriormente, o período que antecede a celebração penitencial, foi cahamado de Quaresma, como período de preparação e penitência para a participação da festa anual de Páscoa.

Ainda no século IV, nasceu o ciclo natalino, de maneira acidental a princípio, como forma de cristianizar o dia considerado mais longo do ano, o 25 de dezembro, onde era celebrada a festa pagã do Deus sol. Nesse dia, a comunidade cristã começou a celebrar a festa do nascimento de Cristo, a qual no ocidente se chamou Natal e no oriente, em data diferente, mas com o mesmo objetivo, chamou-se Epifania, a manifestação da divindade de Cristo na carne. Ao redor dessa festa, foi se formando o tempo do advento, com seu duplo sentido, manifestação gloriosa de Cristo (2ª vinda - Parusia) encarnação (1ª vinda de Cristo).
Como vimos, o ano litúrgico não se formou a partir de um plano concebido, de maneira sistematizada, mas na verdade foi se desenvolvendo e expandindo progressivamente.
São dois os principais fatores que fazem do ano litúrgico uma forma importante de vivenciar o mistério salvífico: Pedagógico e teológico. Como razão pedagógica é uma forma de explicitar e apresentar os diversos momentos e aspectos do insondável e incomensurável mistério e como razão teológica torna-se uma forma de compreender a precisa conotação e seu valor próprio no plano de Deus, ou seja, os gestos e modos como Deus se manifestou na carne de seu filho e o qual a comunidade primitiva entendeu como cumprimento de toda a história de Israel. Assim fica impossível entender o Antigo Testamento sem as luzes do Novo Testamento e vice-versa.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ENTREVISTA SOBRE BIOÉTICA - PARTE I

Esta entrevista foi cedida em meados do segundo semestre de 2009, na cidade de Campo Alegre as alunas do Colégio APROV de Catalão, Thávila kaline Miranda da silva e Carollina José da Silva.
ENTREVISTA:
Apresentação:
O entrevistado se chama Murah Rannier Peixoto Vaz, tem 25 anos, é Bacharel em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Teologia Santa Cruz, seminarista da Diocese de Ipameri e atualmente faz estágio na Paróquia Nossa Senhora do Amparo em Campo Alegre de Goiás.
1 – A clonagem humana para fins do avanço da ciência é uma polêmica, principalmente quando se trata de questões religiosas. Qual a sua visão?


O pensamento que gerou a idéia de clonagem humana, de certa forma, advém do período da segunda grande guerra quando cientistas, entre eles Mengele, a mando de Hitler fizeram várias experiências todas elas contrárias à Bioética, seres humanos eram usados como cobaias e todo tipo de testes eram realizados. O avanço da ciência não é justificável a custa de tudo e de todos. Ou seja, precisamos ter limites e é para refletir sobre esses limites que se criou a Bioética, uma ciência considerada nova, com formulação terminológica criada em 1971, mas com fundamentos alicerçados na antiga Grécia, séculos antes de Cristo.
Pensadores como Sócrates, Platão, Aristóteles, entre outros, foram os que por primeiro contribuíram com a investigação ética. A Bioética atual não difere de suas raízes, ela aborda problemas que atingem a cada pessoa individualmente e a humanidade como um todo.
Mas porque abordo isso, haja vista que falamos de clonagem? Pois antes de falarmos de clonagem devemos refletir a fundo no pensamento que a originou.


Hitler com sua defesa da raça Ariana, a qual acreditava ser superior as demais, influenciado pela filosofia nietzscheniana do “Super-homem”, pensava que o mundo devia se submeter a Nação Ariana e dar lugar a ela. Ele era um entusiasmado adepto da teoria da higiene racial, doutrina "científica" que pregava a eliminação dos genes não arianos do povo alemão. Felizmente, Hitler não atingiu sua intenção, mas, em termos, seu pensamento perdura até hoje.


O quando começa a vida é uma questão bem controversa, até mesmo no meio científico isso gera polêmica.
Biologicamente percebemos que a vida começa em sua concepção, no ato do fecundar o óvulo. Seja por via natural ou artificial em laboratórios. A defesa da dignidade do embrião não tem nada a ver com religião, na verdade é puramente no plano técnico, científico e biológico que nos posicionamos para essa defesa, mesmo que, todavia, a visão cristã também beba nessas fontes.


Eu já fui um embrião, cada um dos que tiverem contato com essa entrevista também já foi. Pergunto, então, e se tivéssemos sido manipulados para algum outro fim? Não tínhamos direito a vida? A diferença entre um óvulo fecundado e você, é o TEMPO e a NUTRIÇÃO.


Alguns argumentam que este seria um modo capaz de salvar milhares de vidas e de fato é. Muitos já deram suas vidas livremente para salvar a vida de outra pessoa, pois tinham liberdade para tomar suas próprias decisões. Mas imaginem se baixassem um decreto que obrigasse que um certo número de brasileiros adultos dessem a vida para salvar a vida de outros brasileiros adultos, quem concordaria?
Nesse aspecto concordo com Carlos Serrano que afirma que:
“Ninguém pode dispor da vida de um embrião, ainda que para um fim benéfico... Porque os fins não justificam todos os meios. Quando um meio é intrinsecamente mau e, para mim, matar um embrião é intrinsecamente mau, não podemos utilizá-lo, mesmo que seja para obter o melhor benefício deste mundo. A não ser que o embrião pudesse dar o seu consentimento.”
De tal forma quem protege o embrião está protegendo a toda a sociedade. Se defendemos que podemos manipular um embrião com menos de 14 dias pelo fato de seu tecido nervoso não ter se formado totalmente é o mesmo que defendermos a morte de um débil mental por seu cérebro não funcionar corretamente. Um cientista não pode ter o direito de escolher quem vai viver usando uma vida para salvar outra. Isso abriria um precedente perigoso para a vida


Não podemos ser utilitaristas, usar embriões ou pessoas fere a vida, pois não somos coisas e tanto o embrião quanto um homem adulto são seres humanos ainda que em estágios diferentes. Da mesma forma como a semente é uma árvore em potência o embrião assim também o é. Dê ao embrião as condições favoráveis para seu desenvolvimento e ele será outro humano adulto.


Assim sendo, tanto o uso do embrião de forma que o mate ou o seu descarte pode ser considerado um aborto, pois a raiz etnológica da palavra aborto significa, entre outros, privação do nascimento, frustrar, malograr e descartar, ou seja, matar um embrião para fins de tratamento seria frustrar ou malograr uma vida. “Se com a fecundação se inicia um processo autogovernado pelo próprio embrião, está mais do que certo que essa formação vital possui a qualidade de ser humano”. (DINIZ, 2001)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ENTREVISTA SOBRE BIOÉTICA - PARTE II (FINAL)

3 – O uso de células-tronco é um tratamento promissor que salvaria milhares de vidas futuramente. Qual sua opinião sobre esse tipo de tratamento?
Como abordei na questão anterior com a citação de Carlos Serrano, os fins não justificam os meios. A vida é um princípio fundamental da Constituição brasileira como se pode constatar em seu art. 5º assim como na Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas cujo Artigo III prevê que “Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.”
Cabe lembrar também que o Código Civil brasileiro em seu art. 2º: “põe a salvo desde a concepção os direitos do nascituro”. Conceituação semelhante é dada no Pacto de São José (tratado internacional de direitos humanos no qual o Brasil é signatário), ao determinar em seu artigo 4º: “Toda pessoa tem direito a que se respeite sua vida. Este direito está protegido pela lei e, em geral, a partir do momento da concepção”.
Realmente o uso de células-tronco é um tratamento promissor, mas usar células embrionárias significa sacrificar ou lesar o embrião e ignorar que ele já é detentor de um código genético único, original, e irrepetível, sendo que pode se dispor do uso de células adultas, presentes em cordões umbilicais, placentas e na medula óssea, todavia estas adultas possuem capacidade limitada de diferenciação e essa era a grande afirmação para o uso das células embrionárias. Entretanto, em 2007, através da descoberta de uma nova técnica: a reprogramação consiste em utilizar células humanas adultas da pele para criar células-tronco embrionárias "induzidas", ou seja, elas “voltam no tempo” se transformando novamente em células-tronco embrionárias, e posteriormente podem se diferenciar em outros tecidos do corpo.
Uma pesquisa coordenada pelo neurocientista do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Stevens Rehen, e pelo biomédico Martin Bonamino, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a partir de células adultas produziu-se pela primeira vez células pluripotentes no Brasil, ou seja, células capazes de se transformarem em vários tipos de tecidos. Assim o Brasil torna-se o quinto país do mundo a produzir células pluripotentes induzidas.
Sou totalmente a favor do uso das células tronco adultas, pois estas não ferem o embrião, não tiram o seu direito a inviolabilidade da vida de sua fase inicial à fase final e podem promover o tratamento e cura de mais de setenta doenças como o mal de Parkinson, Alzheimer, doenças cardíacas, coronárias e até mesmo na recuperação de pessoas paraplégicas. Mas com todos esses avanços científicos e possibilidades abertas é no mínimo incoerente continuar a insistir com o uso de células embrionárias.
4 - Alguns casais fazem tratamentos para ter filhos. Uma das opções é a fertilização in vitro, por não ser um processo natural, qual seria a posição da Igreja?
Com toda certeza é uma questão delicada a fertilização in vitro, pois rompe com o processo natural e biológico da natureza e esse, apesar de ser um problema não é o único. Outra grande questão é o que fazer com o excedente de embriões? Podem ser utilizados em experiências científicas? A quem pertencem? Podem ser descartados, destruídos? Podem ser doados a outro casal?
É delicado dizer algo assim a quem sonha ter seus filhos biológicos, mas penso que casais que não tem condições de ter filhos por vias biológicas naturais ou através de métodos terapêuticos éticos poderiam adotar crianças ao invés de se fecharem em seu egoísmo. De tal forma não teríamos a problemática do que fazer com os embriões excedentes que não podem ser descartados ou destruídos por se tratarem de humanos em potência. Além de tudo, através do ato de adoção dá-se a uma criança a possibilidade de crescer em um lar, e os pais adotivos colocam-se a serviço da vida. No entanto, muitos por uma vontade de ter seu próprio filho, usam se dos meios possíveis para alcançar esse sonho, esquecendo-se de que os embriões restantes do experimento são vidas iniciadas e filhos em potência, assim como aqueles que vierem a nascer.
A conclusão é que a Igreja posiciona-se de forma contrária a fertilização como pode ser observado na afirmação de Dom Sérgio da Rocha:
“a posição do Magistério da Igreja é contrária à fecundação artificial, seja heteróloga ou homóloga, embora procurando compreender os anseios do casal em dificuldades que busca a geração de um filho, e valorizando o serviço prestado pelas ciências na busca de soluções para casais com problemas nesse campo. ( ROCHA, D. Sérgio da)”.
Somos vocacionados (chamados) a vida, ela é um dom de Deus do qual não podemos prescindir, nós somos apenas administradores da vida confiada a nós. Portanto, a escolhamos e a promovamos como cuidadores da vida em todos os seus estágios.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
DINIZ, Maria Helena. O Estado Atual do Biodireito. São Paulo: Saraiva, 2001.
ORG: LEONE, Salvino; PRIVITERA, Salvatore; DA CUNHA, Jorge Teixeira. Dicionário de Bioética. Aparecida: Santuário, 2001.
ROCHA, D. Sérgio da, Questões atuais de teologia moral. Encontro de Formação de Presbíteros/ Sub-Regional de Ribeirão Preto – 04 à 06/09/2007
OLIVEIRA GUIMARÃES, João Vitor Mello de O uso científico de células-tronco embrionárias e o direito à vida.


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

CARTA ENVIADA AO PADRE LINO NO ANO DE 2007





Carta escrita ao Padre Lino Dal'la Pozza, na noite em comemorou-se seus 77 anos de vida:


Goiânia, 24 de Setembro de 2007
Caríssimo Revmo Padre Lino.
Estamos em festa contigo e, mais do que isto, estamos muito felizes de ver a expressão de contentamento e de alegria no teu rosto.
Mas também, o senhor merece...
Ainda mais quando se atinge o dobro da perfeição... 77 anos, se o 7 já é o símbolo da perfeição, imagine então este 7 dobrado, um ao lado do outro. Ou melhor que isso, imagine 11 X 7, que multiplicado dá o total de anos de tua vida. Uma vida de entrega e de doação; vida de uma consagração à vontade de Deus, sendo sal e luz entre os povos.
Certamente teu tio se alegra junto do PAI, por saber que em sua família uma ilustre personalidade, chamada Lino Dalla Pozza, é quem na verdade realizaria seu sonho de ser missionário nas terras da América Latina. In Brasile...
Êh Brasil abençoado! Teve a graça de recebê-lo, e de tê-lo anunciando a “Boa Nova” entre nosso povo, fazendo a libertação daqueles que estão presos nas coisas materiais, devolvendo a vista, àqueles que são os piores cegos, que são os que não querem ver, não querem enxergar a realidade que está diante deles. Brasil que teve a graça de tê-lo aqui, lutando pela promoção do Reino, por um mundo onde paz, amor e justiça se abraçam.

Ah Pe. Lino... tanta coisa poderia ser dita...
Mas como sei de tua humildade, serei também simples em minhas palavras, quero acrescentar apenas uma prece:
Obrigado Senhor, pelo ventre que gerou teu filho Lino Dalla Pozza, pelos braços que trabalharam para criá-lo, sustentando-o e alimentando-o, para que um dia pudesse estar entre nós.
Obrigado Senhor, pelo ninho que foi a família do Pe. Lino. Família que não o reteve para si egoisticamente, mas que o compartilhou com uma multidão de pessoas.
Obrigado Senhor, pelo empenho, o trabalho e a dedicação deste teu zeloso filho. Dai a ele a alegria dos justos, e tende nele a Vossa afeição.
Amém.
Murah Rannier Peixoto Vaz

Em nome de todos os seminaristas da Diocese de Ipameri.