Como diria o estimado São João Paulo II: "A paz exige 4 condições essenciais: verdade, justiça, amor e liberdade." Ou mesmo, como diria o pregador da não-violência, Mahatma Gandhi: "Não há caminho para a paz, a paz é o caminho!"
Nos propomos a iniciar nesse blog um espaço de diálogo e reflexão em prol de construir uma cultura de paz em nossa sociedade, em nossas casas, entre as nações e em todas as nossas relações interpessoais.
Shalom-Revolution - A revolução da paz! Shalom, meus irmãos!!!
Do dia 31 de março à 4 de abril fui para a cidade de Orizona auxiliar os Padres Emerson Simplício (Vigário) e Aparecido (Pároco) nas celebrações, procissões e demais atividades da paróquia durante a Semana Santa, por sinal com grande participação por parte da população orizonense.
Durante os dias em estive por lá tive a oportunidade de conhecer alguns povoados e as capelas existentes neles e não perdi a oportunidade de fotografá-los bem como a cidade de Orizona.
Há alguns dias iniciamos nossa abordagem Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 aqui no seminário em vivemos. Nos dividimos e nos reunimos em pequenos grupos e diante do tema proposto começamos questionando aos membros do grupo qual a visão que se tem de Campanha da Fraternidade.
Nas falas percebe-se no grupo membros abertos a C.F. e conhecedores de seu sentido e significado dentro do tempo Quaresmal e aqueles que desconhecem o sentido da C.F., sua importância e que são resistentes a ela.
Pe. David aborda o histórico da C.F. e ressalta a sua importância com pontos concretos de mudanças no panorama político, social, econômico e ambiental brasileiro. Como verdadeira busca pelo bem comum, da dignidade pessoal e de toda a humanidade. Fatores de profunda vivência da caridade e da justiça.
A partir de então, abordamos a diferença entre uma C.F. promovida pela Igreja Católica e de uma C.F. promovida ecumenicamente. Como tal, não poderíamos deixar de lado o CONIC, no qual conhecemos sua história, as igrejas que o compõem e a sua finalidade, recordando também o incentivo do Concílio Vaticano II ao ecumenismo em prol da unidade e do compromisso das igrejas cristãs pela transformação da realidade social pela fidelidade ao projeto de Jesus Cristo.
Entrando na esfera do tema e lema da C.F. Ecumênica 2010 presentes no texto-base, ampliamos nossas noções sobre aquilo que a Igreja unida às demais igrejas e a todas as pessoas de boa vontade refletirão nesse ano e com maior ênfase nesse período Quaresmal.
Além de conhecermos tema (“Economia e vida”) e lema (“Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”) alguns dos principais pontos trabalhados foram: a valorização da pessoa; o Projeto econômico solidário, uma mudança de valores que propõe a economia a serviço da vida; sustentabilidade; desmistificação do consumismo; a importância da criação de laços entre as pessoas para se atingir a plena sustentabilidade.
As estratégias elaboradas para tal finalidade são:
1 - Denunciar as injustiças, 2 – Educar e formar uma nova consciência, 3 – Conclamar igrejas, religiões e toda a sociedade para um modelo sócio-econômico-social e ambiental voltado para o ser e não para o ter.
Pelo fato da economia e a política interferirem e influenciarem totalmente a vida das pessoas, esse esquema estratégico espera ser aplicado em quatro níveis: social, comunitário, eclesial e pessoal.
Vimos dentro do texto-base a presença de uma ética e anti-ética, um jogo conflitante e antagônico na sociedade. O resultado disso é que muitas das vezes a balança pende para um dos lados, onde surge a exploração do ser humano, a exploração da natureza etc.
Hoje, em um tempo em que se faz uso de um marketing de guerrilha (compre, beba, use, coma), grande parte da sociedade cede a uma pseudo “pregação capitalista” e ergue “altares e templos” a um deus que toma várias faces e nomes diversos: dinheiro, lucro, narciso, ego, parece que remontamos aos tempos de Paulo e somos chamados a agir como ele no Areópago de Atenas.
Como bem sabemos, nem tudo que reluz é ouro (felicidade) o que mais acontece na atualidade é a decepção daqueles que depois de tanto correr atrás da dita prosperidade ao encherem seus alforjes notam que apenas encontraram ouro de tolo.
O texto-base afirma a necessidade de cooperação solidária que desenvolve as potencialidades do ser humano, do deixar de lado interesses individuais por interesses coletivos para que a humanidade tenha “mais vida e vida em ambundância”.
Como bem sabemos, o texto-base segue a metodologia do ver, julgar e agir e quanto ao aprofundamento nos atemos mais ao ver, no que visualizamos a realidade brasileira, que não difere de muitos dos países Sul-americanos: fome e pobreza, má situação do povo trabalhador, degradação do meio ambiente, projeto de desenvolvimento desequilibrado e excludente, e o deus-mercado.
Seguimos uma leitura de partes do texto-base trazendo à luz a realidade em que estamos inseridos aqui no seminário e após o julgar fizemos contribuições para o agir aqui no próprio ambiente comunitário em que estamos, mas ao mesmo passo vislumbramos nossas pastorais e a realidade de nossas dioceses e da sociedade como um todo.
A partir da frase: “Onde o teu tesouro está o teu coração!” questionamo-nos:
Quais as nossas prioridades? Quais os meus compromissos? Como sou movido em meu amor para agir concretamente em favor daqueles que sofrem? E com esses questionamentos, deixados a todos os que lerem, encerro minha reflexão.
Do início, em seu primeiro versículo, até o final do Evangelho, Jesus o “Filho de Deus” é uma afirmação que perpassa o texto de Marcos. Percebe-se nisso a nítida intenção de que reconhecer que Jesus é o “Filho de Deus” é uma das finalidades do Evangelho de Marcos e a face de Jesus mais marcante em todo o seu texto.
O Jesus de Marcos vem fazer oposição ao Imperador Romano, destaque para essa oposição é dizer que Jesus é o “Filho de Deus”, atributo dado ao Imperador. Marcos ressalta também um Jesus cuja face é sua entrega pelo povo para a salvação de seus pecados. Diferentemente do Imperador Romano que só cuida de seus interesses particulares.
Bem no coração do Evangelho, Jesus pergunta a seus discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” (8, 27). Na resposta dos discípulos é notória a confusão que o povo e mesmo os próprios discípulos de Jesus faziam a respeito de sua pessoa. Parece ser o fracasso de Jesus, mas Pedro toma a palavra e diz: “Tu és o Cristo”, quer dizer o messias enviado por Deus para salvar seu povo.
O Evangelho de Marcos parece ser o mais milagreiro, ao todo são 18 milagres, entre eles quatro exorcismos de espíritos impuros, os quais reconhecem Jesus como o “santo de Deus” (1, 24) e o filho do “Deus altíssimo” (5, 7). Tal reconhecimento por seres como os demônios vem comprovar a identidade divina de Jesus.
Porém, na segunda parte do Evangelho há um Jesus diferente, apresentado como o “filho do homem”, um tanto quanto misterioso e ligado a figura do “Servo sofredor” do livro de Isaías. Aparentemente, Marcos usa esse termo para apresentar a dupla natureza de Jesus, todo Deus e todo homem. Enquanto Deus aquele que vem assumir sobre si a redenção da humanidade, mas enquanto homem oferecendo-se em sacrifício, passando pelo sofrimento, rejeição e a morte, mas finalmente vencendo a morte e ressuscitando ao 3º dia.
Marcos partilha com os leitores as emoções de Jesus, seus sofrimentos, sua fraqueza, sua esperança e no capítulo 14, 32 o medo de Jesus diante do sofrimento e sua angústia perante a morte. Mas ao mesmo tempo, Marcos apresenta um Jesus que impera (dá ordens) à doença, à morte, aos demônios, aos homens, às forças da natureza.
Outras particularidades que podem ser vista como atributos que apresentam a nós o rosto de Cristo e sua personalidade no Evangelho de Marcos:
O ungido do Espírito Santo (1, 10).
Aquele que ensina com autoridade (1,22) e age com autoridade (4, 41).
Dependendo da tradução - Irado/ compadecido (1, 41).
Alguém que toca e se deixar tocar pelas pessoas (1.41 e 5.27)
Um Jesus em tudo humano que come, bebe, tem fome e fica exausto (2.16; 15.36; 11.12; 4.38-39);
Mestre (6, 2; 11,21; 14,45).
Homem da caridade (9, 41).
Carpinteiro, filho de Maria (6, 3).
O rei que expulsa os seus adversários (3, 13-19; 6, 7-13 ).
Rei dos Judeus (15, 16).
Cidadão (12, 17).
Senhor de Davi (12, 37).
Homem da oração (14, 32).
Conclui-se que a divindade de Jesus é especialmente realçada pela sua humanidade. É como dito por Leonardo Boff, “Alguém tão humano só podia ser divino”.
Bibliografia:
Bíblia Edição Pastoral, 57ª Impressão, outubro de 2005.
Bíblia de Jerusalém, 5ª Impressão, São Paulo: Paulus, 2005.
Bíblia Sagrada - Tradução da CNBB, 2ª Edição, Várias Editoras, 2002.
SCHIAVO, Pe. Luigi. Seguidores de Jesus – O caminho dos discípulos a partir do Evangelho de Marcos. Livreto publicado pela Arquidiocese de Goiânia, Goiânia, 2006.