Como diria o estimado São João Paulo II: "A paz exige 4 condições essenciais: verdade, justiça, amor e liberdade." Ou mesmo, como diria o pregador da não-violência, Mahatma Gandhi: "Não há caminho para a paz, a paz é o caminho!"
Nos propomos a iniciar nesse blog um espaço de diálogo e reflexão em prol de construir uma cultura de paz em nossa sociedade, em nossas casas, entre as nações e em todas as nossas relações interpessoais.
Shalom-Revolution - A revolução da paz! Shalom, meus irmãos!!!
O dia 1º de novembro é o dia de "Todos os Santos", conhecidos
e desconhecidos, reconhecidos ou anônimos. Por sinal, a Igreja Católica é um
celeiro de santas vocações e isso ocorre em todos os períodos de sua história,
mesmo em seus momentos difíceis. Isso porque a Igreja é Santa, ela é o corpo
místico de Cristo (1 Cor 10,16-17) inserido na história e o corpo de Cristo (a
Igreja) unido à sua cabeça (Cristo) não é um corpo pecador. A Igreja também é Sacramento
de Cristo e, por esse motivo, Sacramento Universal da Salvação. De tal modo,
uma multidão de homens e mulheres que passaram pela morte nos antecedem e já
gozam das delícias celestes (Hb 12, 1).
Pelo
Batismo, a Igreja gera novos filhos e filhas pela graça do Espírito Santo. Este
mesmo Espírito a renova e a faz sempre nova, sem mácula e nem ruga, para
apresentar-se santa e irrepreensível diante de seu divino esposo com quem se
uniu de tal forma que se tornaram uma só carne. Essa união é um profundo
mistério proclamado por São Paulo em sua Carta aos Efésios (5,21-33). Por tudo
isso, hoje é um dia de grande alegria para nós, pela certeza de que muitos
irmãos e irmãs se fazem presentes na Igreja Triunfante, a Igreja Celeste, e de
lá rogam por nós por estarem plenamente unidos à Cristo.
Nesse dia
de "Todos os Santos" é justo refletir sobre a comunhão dos santos que
se dá na unidade eclesiológica. Hoje transbordamos de alegria por tantos homens
e mulheres que em suas vidas se conformaram tão perfeitamente ao Cristo que o
transpareceram em seus gestos e atitudes, que mereceram adentrar ao Reino
prometido por Cristo, na Jerusalém Celeste, a Igreja Exultante e Triunfante .
Isso
também nos faz olhar para nossos outros irmãos e irmãs que em suas vidas lutaram
para perseverar e também dar testemunho de Cristo, que tiveram seus deslizes,
seus erros e pecados[1],
mas também acertos e a conversão de vida. Estes, por sua vez, passam pela
purificação de suas faltas, pelo crisol (fogo) purificador[2] (1
Cor 3,11-15). Deus os purifica assim como um ourives que tira todas as
impurezas do ouro para que a jóia possa transparecer com todo a sua beleza.
Estes nossos irmãos e irmãs que se purificam formam aquilo que chamamos de
"Igreja Padecente" e passam por aquilo que se convencionou chamar de
Purgatório, de onde niguém sairá até que se pague o último centavo (Mt
5,22-23).
Por outro
lado, voltar nossos olhares para a Igreja Triunfante e para a Igreja Padecente
leva-nos a um terceiro olhar, que recai sobre nós que aqui estamos e que
formamos a "Igreja Militante" ou "Peregrina". Nós, membros
da "Igreja Militante" podemos olhar para as virtudes dos Santos (as)
(Igreja Trinfante) e para os limites de muitos de nossos irmãos (Igreja
Padecente) e buscar seguir a via de Cristo, a via da perfeição, tendo os santos
como modelos e setas que nos apontam essa via de Cristo e sabendo, porém, que
muitos de nossos irmãos e irmãs necessitam de nossas orações (2 Mc 12,38-46)
para que possam, purificados pelo crisol do purgatório (Lc 12,45-48), também
merecer a graça de adentrar à "Igreja Triunfante". Nisso consiste a
comunhão dos santos, todos nós unidos e auxiliando-nos uns aos outros nessa
caminhada. Triste vida é a daqueles que rejeitam tal comunhão, que, por
primeiro, trata-se de uma comunhão com o Cristo que nos une nele, com ele e por
ele.
Em suma, como
todo o corpo padece se um de seus membros sofre com a dor ou doença, também todo
corpo partilha daquele alimento que é ingerido ou do remédio que vem para sanar
a doença e a dor. Assim acontece com os santos, pois além dos méritos de Cristo
que lhes uniu em si, lhes concedeu a salvação e as graças necessárias, também
os méritos pessoais, ainda que sejam resposta à própria graça de Deus que nos
capacita para toda boa obra, são levado em conta e agora estão à disposição
para a comunhão de todo o corpo, ou seja, de toda a Igreja (Celeste, Padecente
ou Militante).
Quando
dizemos no Credo “creio na comunhão dos Santos”, professamos que nós da Igreja
Militante podemos interceder pelos mortos (Igreja Padecente), intercerder por
nossos outros irmãos e irmãs, ainda que sejam aqueles que nos fazem o mal, além
de pedir a intercessão dos santos por nós[3] e
também pelos mortos. Como vimos, os santos, nossos irmãos que gozam da glória
de Deus (Igreja Triunfante/Celeste), podem interceder por nós e por aqueles que
estão no Purgatório. Já nossos irmãos que padecem no purgatório são sempre necessitados
e carecem de nossas orações, indulgências e sufrágios por suas almas para que
pufiquem-se[4]
e possam então gozar das delícias do Reino de Deus.
Quanto
mais caminhamos em nossa fé e em nossa vida de Igreja, tanto mais crescemos em
nossa compreensão sobre as Escrituras e na “nossa fé, que da Igreja recebemos e sinceramente professamos, razão de nossa alegria em Cristo, nosso Senhor”. Reconheçamos, então, que:
“A Igreja não é uma
Instituição humana
mas, uma Instituição divina,
não é uma corporação,
mas o Corpo de Cristo.
Cristo é a cabeça da Igreja
e seus membros são os cristãos
batizados
que vão conformando suas vidas
à Cristo".
Portanto,
se existem santos isso deve ao fato de que uniram suas vidas ao "Santo dos
Santos".Trilhemos também nós esse caminho de santidade...
[1]
Há pecados que não provocam uma morte ou pena eterna (inferno) e outros que sim.
Vejamos o que diz São João em sua 1ª carta “Se alguém vê seu irmão cometer um
pecado que não conduz à morte, que ele ore e Deus dará a vida a este irmão, se,
de fato, o pecado não conduz à morte. Existe pecado que conduz à morte, mas não
é a respeito deste que digo que se ore. Toda iniquidade é pecado, mas há pecado
que não conduz à morte”. Embora não conduzam para a pena eterna, esses pecados
não excluem as penas temporais, que podem ser sanadas já em vida, pela oração,
penitência e caridade, mas se no fim da vida ainda restou ainda alguma pena, depois
da morte há o purgatório.
[2]Bento XVI afirmou na sua catequese de quarta-feira, dia 12 de outubro de
2011, que: "O purgatório não é um elemento das entranhas da Terra, não é
um fogo exterior, mas interno. É o fogo que purifica as almas no caminho da
plena união com Deus". Trata-se, portanto, de uma experiência de encontro
com Deus e caminho de conversão rumo à eternidade.
[3] Tenhamos bem claro que pedir a
intercessão e o culto de veneração que prestamos aos santos (dulia) em nada se compara à adoração (latria) que prestamos a Deus. São ações
diferentes e quem afirmar que um católico adora aos santos compreendeu mal
nossa doutrina e nos acusa falsamente. Trata-se, portanto de um ataque
infundado, sem razão, difamatório e calunioso. A Igreja Católica proíbe aos
seus fieis qualquer tipo de adoração aos santos, pois esse tipo de culto deve
ser dirigido apenas a Deus.
Enquanto cristãos, os católicos creem na Santíssima Trindade, o Deus Uno e
Trino (Pai, Filho e Espírito Santo), portanto, orações de adoração podem ser
dirigidas às três pessoas da Santíssima Trindade.
[4]Os filhos de Levi cometeram
um pecado e por isso perderam a vida, mas o profeta Malaquias afirma em seu
livro que mesmo eles serão purificados: “Quem poderá
suportar o dia de sua chegada? Quem poderá ficar de pé, quando ele aparecer?
Porque ele é como o fogo do ourives e como o sabão dos lavadeiros. Ele virá
para fundir e purificar a prata. Ele purificará os filhos de Levi, e os
acrisolará como ouro e prata” (Ml 3,2-3).
Murah Rannier Peixoto Vaz (1)
OBS: Texto escrito em 2008.
No ano
em que a Escola Estadual Dom Bosco completa seus 80 anos (2) de existência e
serviços prestados à comunidade ipamerina, é bom rememorarmos sua história e,
pesquisando, indagarmos até mesmo o por quê deste nome. Por que esta escola
receberia o nome de Grupo Escolar Dom Bosco(3), e que apesar de diversas mas
pequenas variações(4) é o nome que perdura até os dias atuais, receberia tal
nome e o fixaria?
Seria simplismo neste caso, dizer que se deve apenas a
devoção da diretora da escola àquela época, a professora Almerinda Arantes.
Prof.ª Almerinda Arantes.
Para esclarecer esta
pergunta faz-se necessário recorrermos a uma análise que se funda na chegada de
Dom Emanuel Gomes(6) em Goiás.
Em 15 de abril de 1923, Dom Emanuel Gomes
de Oliveira é sagrado Bispo e assume o Báculo da Diocese de Goiás. Religioso da
Congregação dos Padres Salesianos, os chamados “Filhos de Dom Bosco”, desde o
início de seu episcopado D. Emanuel começa a introduzir um grande estímulo às
escolas em todo Estado, em especial a criação de Escolas Paroquiais. Em 1933, na
data de 13 de agosto recebe a imposição do Pálio Arquiepiscopal, devido a
elevação da Diocese de Goiás a Arquidiocese de Goiás. Sendo Salesiano, no tempo
em que governou a Arquidiocese(7) , em suas andanças acabava também incentivando
a devoção a Dom Bosco(8), canonizado apenas 11 anos após D. Emanuel ter tomado
a direção da, então, Diocese de Goiás.
Além de seguir o carisma de sua
ordem e os passos de Dom Bosco na área da Educação, e de expandir a devoção ao
seu confrade, D. Emanuel também carregou consigo a devoção a Nossa Senhora
Auxiliadora, criando uma paróquia com sua invocação em Goiânia, a nova capital
de Goiás(9) .
Devido seu impulso à Educação em todo o Estado, D. Emanuel é conhecido como o
“Bispo da Instrução”, tendo autorizado e estimulado seus padres a construírem
diversas escolas, em todo o interior goiano, possibilitando fácil acesso a
educação a milhares de pessoas do interior e capital(10) . Corroborando com este
histórico é interessante o que diz-nos o Papa João Paulo II na saudação da sua
homilia na Celebração da Palavra realizada em Goiânia no ano de 1991: “(...)
Recordo, com admiração, a extraordinária obra educacional do grande filho de Dom
Bosco, Dom Emanuel Gomes de Oliveira, cujas escolas abriram o caminho para a
disseminação do ensino pelo interior do Estado. Esta obra foi coroada pela
Universidade Católica de Goiás, a primeira instituição universitária do
centro-oeste brasileiro, criada após sua morte pelo primeiro Arcebispo de
Goiânia, Dom Fernando Gomes (...)(11)” .
Nota-se que a influência
salesiana em Goiás, por parte de D. Emanuel foi tão forte, que chegou até mesmo
a influenciar devocionalmente a 1ª Dama do Estado, Dª Gercina Borges Teixeira,
esposa do Dr. Pedro Ludovico Teixeira(12) , Interventor Estadual de Goiás.
Católica praticante, Dª Gercina tinha como diretor espiritual D. Emanuel. Nesta
proximidade, Dª Gercina inclusive a pedido de D. Emanuel, sugeriu a escolha de
Nossa Senhora Auxiliadora como Padroeira da Capital do Estado(13).
Entre
várias outras, D. Emanuel esteve em Ipameri de 11 a 15/08/1938(14) , durante a
festa de N. Sra d’Abadia, inauguração e sagração do Altar-mor(15) da nova
Matriz(16) de Ipameri, hoje Igreja Catedral da Diocese. Com certeza em suas
andanças por nossa cidade, também tratou de promover a memória do venerável São
João Bosco.
Conclui-se então, que a devoção de Dª Almerinda Arantes(17),
não era apenas uma particularidade pessoal, mas havia aí toda uma influência
advinda de D. Emanuel Gomes de Oliveira, e que se espalhou pelo Estado nas
décadas de 30, 40 e 50.
NOTAS DE RODAPÉ
(1)O autor é ex-aluno da Escola Estadual Dom Bosco e hoje
é seminarista da Diocese de Ipameri, graduado em Filosofia e graduando do curso de Teologia do
Instituto de Filosofia e Teologia Santa Cruz.
(2)Criada em 1928 e
inaugurada em 1929, a primeira assumir sua direção é Dª Julia
Guimarães.
(3)Originariamente criada com o nome Grupo Escolar Coronel
Francisco Vaz, trocado posteriormente para Grupo Escolar de Ipameri e mais uma
vez trocado para Grupo Escolar Dom Bosco.
(4)Escola Estadual Primeiro
Grau “Dom Bosco”, Escola Integrada “Dom Bosco” e o atual nome, Escola Estadual
“Dom Bosco”.
(5)Dª Almerinda Arantes. A professora Almerinda
Arantes foi eleita deputada federal pela primeira vez aos 49 anos e foi
deputada estadual por três legislaturas. Ela foi uma das mulheres pioneiras no
voto e eleição feminina no estado. A deputada teria auxiliado com verbas para a
construção da escola.
(6)A passagem de Dom Emanuel
Gomes de Oliveira pelo bispado de Goiás é marcada por notáveis realizações nos
campos eclesiástico e social. Foi ele o grande construtor de igrejas e
escolas.
(7)Exerceu seu pastoreio até sua morte em
12/05/1955.
(8)Dom Bosco era um sacerdote dedicado, e uma de suas áreas
de evangelização foi a Educação, a qual entregou-se com esmero. Como educador,
desenvolveu a educação infantil e juvenil e o ensino profissional. São João
Bosco gozava de grande prestígio e fama por ter morrido em ares de santidade em
1888. Foi canonizado e elevado aos altares pelo Papa Pio XI em 1º de abril de
1934,
(9)Em 1957, esta paróquia teria sua Matriz Paroquial sagrada como
sede da Catedral da nova Arquidiocese de Goiânia.
(10)Segundo o
Deputado Federal Domingos Neto Velasco em discurso proferido na Câmara Federal
em sessão realizada em 15 de abril de 1948, naquele ano já somavam um total de
25 escolas paroquiais, 15 ginásios oficializados, 11 escolas normais, 2 escolas
de aprendizado agrícola, uma escola de enfermeiras, e ainda formou o patrimônio
da Escola de Farmácia e Odontologia de Goiânia.
(11)João Paulo II.
Homilia proferida na Celebração da Palavra na Esplanada do Estádio «Serra
Dourada» de Goiânia. Viagem Apostólica ao Brasil, terça-Feira, 15 De outubro de
1991.
12)Político brasileiro, nasceu na cidade de Goiás-GO em 1891. Formado pela
Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1915). Um dos líderes da revolução de
1930 em Goiás, interventor federal no Estado (1930-1933) e governador de 1935 a
1937, foi responsável direto pela mudança da capital de Goiás, da cidade de
Goiás para Goiânia. Interventor federal pela segunda vez (1937-1945 e governador
eleito (1951-1954), além de ser senador eleito por duas vezes (1955-1962 e
1962-1970), teve seu mandato cassado pelo Ato Institucional Nº5. e suspensos
seus direitos políticos por dez anos, em 1969.
(13)Nossa Senhora
Auxiliadora foi escolhida padroeira de Goiânia em 1935, ano em que se instalou,
em 20 de novembro, o município da nova Capital de Goiás. Padroeira dos
salesianos, Dom Emanuel Gomes de Oliveira também rendia a ela sua
devoção.
(14)Quatro anos após a elevação de Dom Bosco aos altares. Na
mesma ocasião lançou a pedra fundamental do Educandário N. Sra. Aparecida, no
dia 15/08/38.
(15)Primeiro Altar sagrado nas Igrejas da Arquidiocese de
Goiás. (16)A inauguração se deu no o dia 14 de Agosto de
1938.
(17)Diretora da escola na gestão em que houve a mudança do nome da
escola de Grupo Escolar de Ipameri para Grupo Escolar “Dom Bosco”.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
VEIGA, João. Ipameri Histórico.
1967.
WISE OFM, Frei Alexandre. No coração do Brasil. Ensaio da História
dos Quarenta Anos (1943-1984) da Custódia do Santíssimo Nome de Jesus em Goiás.
1989, Ed. Vozes. Petrópolis-RJ.
REZENDE, Íris. Pedro Ludovico - A
saga da construção de Goiânia no coração do Brasil. Secretaria Especial de
Editorações e Publicações. Senado Federal, 2001, Brasília-DF.
FONSECA
E SILVA, Con. J. Trindade da. RAMOS JUBÉ, José M. SOUZA LOBO, José F. de.
(Orgs.) Livreto dos 25 de Bispado de D. Emanuel: Vinte e cinco anos de
benefícios ao Estado de Goiaz. A Dom Emanuel primeiro Arcebispo de Goiaz, a voz
agradecida de suas obras. 1948.
PAULO II, Papa João. Homilia Do Papa
João Paulo II Na Celebração Da Palavra Na Esplanada Do Estádio «Serra Dourada»
de Goiânia. Viagem Apostólica Ao Brasil. Terça-Feira, 15 De Outubro De
1991.
Livro dos relatórios mensais, ocorrências e comunicações a
Cúria Diocesana. Registro datilografado pertencente ao acervo da Paróquia Divino
Espírito Santo de Ipameri.
Paróquia Divino Espírito Santo. Jornal
comemorativo do Sesquincentenário da Paróquia de Ipameri, 31 de julho de
1995.
Ipameri em notícias, Jornal de Ipameri, dezembro de 2002.
Revista da Arquidiocese de Goiânia, Volumes de 1964 a 1966.
Esse
texto faz parte da obra inédita, em vias de ser publicada, denominada "As
terras do Divino Espírito Santo - História de fé e luta de um povo",
Volume I, de minha autoria. O texto seguinte faz parte de seu 1º capítulo.
A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA
Murah Rannier Peixoto Vaz
Simbolicamente,
pode-se afirmar que a Igreja é como uma flor. Desejada pelo Pai, plantada pelo
Filho, nutrida pelo Espírito Santo e cultivada pelos apóstolos. Essa flor é
formada por diversas pétalas, unidas em um mesmo pendão, estabelecidas sob um
mesmo caule, alicerçadas nas mesmas raízes. Cada pétala que se afasta das
demais, leva consigo o seu brilho e parte da beleza da flor, que acaba ferida e
desfigurada, mas continua viva, pois suas raízes e seu caule permanecem lhe
fornecendo aquilo que é próprio da semente plantada. O mesmo não se pode dizer
das pétalas separadas. Muitas não sobrevivem, as demais ficam privadas daquilo
que lhe é próprio e acabam se alicerçando sob outras raízes. Cada um que se
afasta não destrói a Igreja, mas deixa vazio o lugar que devia preencher nas
paredes desse edifício espiritual que é a Igreja e, o qual, ninguém ocupará se
o próprio não o ocupar.
Qual
compreensão de si mesma tem a Igreja? De modo sintético, é isso o que esse
texto abordará. A Igreja possui notas, ou seja, características próprias que
lhe garantem ser a Igreja de Cristo. Essas quatro notas foram definidas, no ano
de 381, no “Credo” Niceno-Constantinopolitano, estabelecido nos Concílios de
Constantinopla e Nicéia, porém, já eram correntes. Encontradas anteriormente no
“Credo” de Santo Epifânio e no de São Cirilo de Jerusalém (MYSTERIUM SALUTIS,
1975, p. 5).
De
tal modo, a Igreja é Una por sua
fonte, o Deus Uno e Trino, por vontade expressa de seu fundador, Jesus Cristo (Cf. Jo 17,21), que nos une com Deus, por
meio do Espírito Santo de amor, alma da Igreja, que realiza a comunhão dos
fiéis. Conclui-se que, ainda que formada pelos diversos membros, a Igreja forma
um só corpo em harmonia, cuja cabeça é o Cristo. Essa unidade se dá internamente (em três aspectos: fé, sacramentos e comunhão
hierárquica) e externamente (geograficamente e antropologicamente, ou seja, a
totalidade dos homens, santos e pecadores, a caminho), já nos primórdios da Igreja
ela aparece com ênfase e destaque: “A multidão dos fiéis era um só coração e
uma só alma” (Cf. At 4, 32); A Igreja é Santa porque instituída por Jesus Cristo, aquele que é três vezes
santo. N’Ele a Igreja é enxertada, tornando-se os membros de Seu corpo, e por
Ele é constantemente nutrida pela Graça divina que a santifica e a faz sempre
nova. Como nova vinha que substituiu a antiga[1]
(Cf. Is 5,1-7; Mt 21,33-46),
“seu crescimento não é fácil, ela é maltratada por repentinas fases de seca, de
geada e de dolorosas podas, mas não podem faltar os frutos nos sarmentos
inseridos na videira fundamental”[2].
Consequentemente, a Igreja vai além de uma mera instituição humana e realiza-se
por obra do Espírito Santo. Quanto à essa santidade diz o Catecismo da Igreja
Católica:
A
Igreja é santa, mesmo tendo pecadores em seu seio, pois não possui outra vida
senão a da graça: é vivendo de sua vida que seus membros se santificam; é
subtraindo-se à vida dela que caem nos pecados e nas desordens que impedem a
irradiação da santidade dela. É por isso que ela sofre e faz penitência por
essas faltas, das quais tem o poder de curar seus filhos, pelo sangue de Cristo
e pelo poder do Espírito Santo (CEC 827).
A
Igreja é Católica porque possui um
chamado universal, no sentido de integralidade e de totalidade (CEC 830). Ela é
aberta a todos os povos, culturas e nações (Cf. At 2, 4), e, por isso, é
chamada de Sacramento Universal da Salvação. Todo aquele que se salva se salva
por meio dela[3].
Por isso, ela é chamada a se estender até os confins da terra; a “Igreja é Apostólica por
ser fundada sobre os Apóstolos...” (CEC 857). A Igreja, cuja edificação
permanece sob o alicerce dos apóstolos presididos por Pedro, continua a conservar
e transmitir, com a orientação do Espírito Santo, o ensinamento de Cristo e de seus Apóstolos. Estes sucessivamente, por
concessão do Romano Pontífice (Cf. At 1,15-26), transmitem o mandato de Cristo
a novos Apóstolos (Colégio dos Bispos) e são presididos por Pedro, na pessoa do
atual Papa[4], o Bispo de Roma, que possui
uma sucessão direta do Apóstolo Pedro. Desse modo, a Igreja, “continua a ser
ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até a vinda de Cristo, graças
aos que a eles sucedem na missão pastoral” (CEC 857).
A fundação da Igreja é de direito divino, pois foi fundada por
Jesus Cristo, Deus que se fez homem. Assim, “a Igreja é humana porque Jesus é
humano, ela é divina porque Jesus é divino” (SUGAI, 1996, p. 88). Portanto,
Deus se fez homem para estar mais próximo dos homens. Ao assumir totalmente a condição
humana restaurou a humanidade corrompida pelo pecado original e, mais do que
isso, elevou-a a uma condição superior a anterior à queda. Dentro de seu plano
de salvação, Jesus fundou a Igreja e a fez humana e divina. Desse modo, a
hierarquia apostólica se fundamenta na vontade e no direito divino de Cristo.
No início de seu ministério Jesus chamou doze para viverem em comunhão consigo
e para estarem mais próximos de si, instituindo o Colégio Apostólico (Cf. Mc 3,
13-19; Lc 6, 13-16). De modo diverso, foram chamados outros setenta e dois
discípulos (Cf. Lc 10, 1). Dentre o grupo dos doze, Cristo escolheu Simão, a
quem chamou de Pedro (Cf. Mt 16, 18-19) e o pôs à frente de seu Colégio
Apostólico. Sobre a mudança de um nome na Bíblia, Bourke faz a seguinte
afirmação: “No pensamento semítico, o nome designava o que a pessoa era, e o
recebimento de um novo nome indicava alguma mudança na pessoa que o recebia[5]” (2011, p. 694).
Pedro recebeu de Cristo o ofício de ser o pastor de um só povo e
um só rebanho, apascentando e confirmando os irmãos na fé (Cf. Jo
21, 15 ss; Lc 22, 32)[6]. Cristo é o Pastor, a
rocha, pedra angular rejeitada, mas transmite a Pedro a autoridade que o Pai
lhe concedeu. A sucessão apostólica, por meio da contínua transmissão do múnus
petrino de confirmar os irmãos na fé e a autoridade de ligar e desligar dada
por Cristo (Cf. Mt 16,18-20), garante que a Igreja subsista através dos tempos,
conforme a vontade de seu divino fundador, que prometeu permanecer conosco até
o fim dos tempos (Cf. Mt 28,20). A missão dos Apóstolos é a missão de Cristo.
Não por mérito pessoal, mas, “pela participação na graça de Cristo, os
Apóstolos prolongam na história, até a consumação dos tempos, a mesma missão de
salvação de Jesus em favor dos homens” (PDV, 2005, p. 39). Isso ocorre como
continuidade do “corpo místico de Cristo” de onde recebemos todos os seus
méritos:
Não existe salvação sem a Igreja. Todos os homens podem ser salvos
pela Igreja, ou na Igreja. Através da Igreja quando, desconhecendo a Igreja,
vivem de acordo com a retidão de suas consciências; na Igreja quando,
conhecendo a Igreja, buscam as graças de salvação deixadas na Igreja por Jesus
Cristo (SUGAI, 1996, p. 88).
Desde
os primórdios do cristianismo, a Igreja de Roma presidia as demais na caridade.
Em nenhum outro lugar do mundo foram mortos tantos cristãos. Além de todos os
outros cristãos, foi ali que Pedro e Paulo, as colunas da Igreja, levaram a
termo a sua fé, sendo martirizados. Em Roma está o túmulo de Pedro, que foi
crucificado como seu divino mestre. Em Roma foi plantada a pedra sob a qual
Cristo fundou sua Igreja. Nessa cidade foi eleito Lino, o primeiro sucessor de
Pedro. Por esses motivos, permanece em Roma a Cátedra de Pedro.
Resumindo
o que é a Igreja, podemos dizer como Bruno Forte: “A Igreja provém da Trindade,
é estruturada à imagem da Trindade e ruma para o acabamento Trinitário da
história” (2005, p. 9). Ou seja, “vinda do alto (oriens ex alto), plasmada pelo altoe rumo ao alto (“Regnum Dei
praesens in mistério”, LG 3), a Igreja não se reduz às coordenadas da
história, do visível e do disponível” (FORTE, 2005, p. 9). Finalizando, podemos
dizer que a Igreja surgiu do mistério divino, caminha como mistério na Igreja,
Sacramento da comunhão dos homens, com seu divino fundador, para alcançar seu
destino: a consumação escatológica.
Por
tudo isso, acreditar na Igreja Católica significa crer no projeto de salvação
para a humanidade, estabelecido pela própria Trindade; acreditar na Igreja
significa confiar em Jesus Cristo e em sua promessa de que enviaria o Espírito
Santo que a manteria na Verdade e regeria essa instituição, fundada por Cristo
e jamais desamparada (Cf. Jo 16, 12-13), para levá-la ao encontro do Pai.
[1] A vinha é símbolo do povo de
Israel (Jer 2, 21), Deus promete uma nova vinha (Is 27, 2-6).
[2] Missal Dominal, São Paulo:
Paulus, 1995, p. 415.
[3] Mesmo aqueles que não estejam em
plena comunhão com a mesma, mas vivam a unidade pelo batismo e pela Palavra,
pois o Espírito Santo sopra como lhe apraz, ele não se limita às fronteiras da
Igreja, todavia, a Igreja foi o meio, isto é, o instrumento concreto e seguro
que o Senhor nos deixou para nossa salvação.
[4] Bento XVI é o 266º
Papa e o 265º sucessor de Pedro.
[5] O mesmo aconteceu
com outros personagens bíblicos bem conhecidos, entre eles: Abrão – Abraão e
Oséias – Josué
[6]O Bispo de Roma sucede a Pedro nominalmente e os Bispos, por ele
legitimamente aprovados, sucedem aos Apóstolos colegialmente.
Uma manhã, quando nosso novo professor de "Introdução ao Direito" entrou na sala, a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
- Como te chamas?
- Chamo-me Juan, senhor. - Saia de minha aula e não quero que voltes nunca mais! - gritou o desagradável professor.
Juan estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala. Todos estavam assustados e indignados, porém, ninguém falou nada. - Agora sim! - e perguntou o professor - para que servem as leis?...
Seguíamos assustados, porém, pouco a pouco começamos a responder à sua pergunta:
- Para que haja uma ordem em nossa sociedade. - Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las. - Não!
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos. - Não!!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?! - Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso... para que haja justiça. E agora, para que serve a justiça?
Todos começavam a ficar incomodados pela atitude tão grosseira. Porém, seguíamos respondendo:
- Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor.
- Para diferençar o certo do errado... Para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal, porém... respondam a esta pergunta: agi corretamente ao expulsar Juan da sala de aula?...
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não!! - respondemos todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça? - Sim!!! - E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para pratica-las? - Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais!
- Vá buscar o Juan - disse, olhando-me fixamente.
Naquele dia recebi a lição mais prática no meu curso de Direito.
Quando não defendemos nossos direitos perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia.
Ivanaldo Santos, doutor em filosofia, fala sobre o filme Bella - Por Tarcisio Siqueira e edição de Thácio Siqueira.
BRASILIA, segunda-feira, 25 de junho de 2012 (ZENIT.org) – ZENIT entrevistou o Dr. Ivanaldo Santos sobre o filme Bella, um filme que promove a vida e que venceu o Festival de Toronto, no Canadá.
O Dr. Ivanaldo Santos é filósofo, pesquisador e professor universitário. Publicou mais de 70 artigos em revistas científicas nacionais e internacionais e tem 8 livros publicados.
Publicamos a entrevista na íntegra:
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ZENIT: Qual é a grande mensagem do filme Bella, vencedor do Festival de Filme de Toronto, no Canadá, em 2006?
IVANALDO SANTOS: Numa primeira leitura trata-se de um filme que fala do fracasso. O filme apresenta o encontro de um jovem casal: José e Nina. José é representado pelo ator Eduardo Verástegui e trata-se de um astro internacional de futebol que, por lesões físicas, fica sem poder jogar e perde a fama e o dinheiro. Ele termina sendo o cozinheiro no restaurante de comida mexicana do seu irmão. Por sua vez, Nina, representada pela atriz Tammy Blanchard, é uma jovem pobre que trabalha de garçonete no restaurante em que José é o cozinheiro. Ela descobre que está grávida e que o pai da criança não deseja assumir a ambos, Nina e seu filho. Numa leitura que podemos dizer “contemporânea” poderia se dizer que Nina tem uma “gravidez indesejada”. Aparentemente são duas histórias de fracasso que se encontram. No entanto, numa segunda leitura, uma leitura analítica e crítica, é possível afirmar que o filme trata do valor e da importância da vida e da família. José poderia ter se entregado às drogas e ao álcool, Nina poderia ter feito um aborto, coisa que, no filme, é aconselhado. Vale salientar que drogas e aborto são apresentados, em vários ambientes sociais, como sendo elementos de libertação do ser humano. O casal José e Nina descobrem que acima das drogas, do aborto e de qualquer outra “facilidade” da sociedade atual estão a vida e a família. Trata-se de uma descoberta surpreendente que emociona o telespectador. Com isso, a grande mensagem do filme é que vale a pena investir na vida e na família. Mesmo que os valores sociais digam que a família está morta, que não tem mais valor, ela é o núcleo onde o indivíduo sempre encontrou o refúgio e a felicidade.
ZENIT: é possível fazer uma relação entre o filme Bella e a cultura da morte?
IVANALDO SANTOS: Sim é possível. O filme apresenta os valores da cultura da morte (aborto, negação da família, individualismo e outros) de forma bem natural, da mesma forma que um cidadão comum vê em seu cotidiano. O filme não faz apologia da cultura da morte. Pelo contrário é uma das maiores críticas que essa cultura sofreu nos últimos anos, mas apresenta como os cidadãos, no dia-a-dia, tem acesso aos contra valores da cultura da morte. Por exemplo, o filme apresenta o individualismo, a busca cega por dinheiro, e como as pessoas e especialmente as mulheres são induzidas e enganadas para realizarem o aborto. Na sociedade contemporânea poucos são os espaços onde se falam do valor da vida, da família, de ter filhos. Geralmente as pessoas são educadas para viverem uma vida selvagem, para ganharem muito dinheiro, qualquer gravidez é logo rotulada de “indesejada” e, por conseguinte, recomenda-se, como se fosse natural, a prática do aborto. Tudo isso o telespectador poderá ver no filme Bella. Nesse sentido o filme é realista. É uma espécie de “raio X” da sociedade contemporânea.
ZENIT: O filme Bella tem recebido grandes elogios por parte da crítica especializada. Apesar disso nota-se certo boicote por parte da grande mídia. Por que isso acontece?
IVANALDO SANTOS: É possível apontar quatro motivos para esse boicote. O primeiro é o fato do filme não ser de guerra e/ou de sexo. A grande mídia (TV e cinema) trabalha essencialmente com elementos que dão lucro fácil e audiência quase que automática. Um filme como Bella, que fala do valor da vida e da família, que não tem nudez, que não tem longas séries de tiroteios e mortes sangrentas, não atrai a atenção da grande mídia.
O segundo motivo é que o filme não faz apologia do aborto e de outros contra valores que atualmente são apresentados como libertários e terapêuticos. É preciso ver que a grande mídia, em certo sentido, está dominada e é controlada, se não em sua totalidade, pelo menos em sua maioria, pela cultura da morte. A luta pelo lucro e pela audiência torna a grande mídia susceptível ao dinheiro rápido e fácil que vem da “indústria da morte”, ou seja, a “indústria” que oferece a morte como produto a ser consumido. Entre esses produtos estão a violência, o abandono da família, o aborto, a eutanásia, as drogas e o infanticídio.
O terceiro é a teoria neomalthusiana. No século XIX o malthusianismo pregava que o crescimento populacional se daria em progressão geométrica, enquanto os recursos humanos cresceriam em progressão aritmética. Deste modo, em poucas décadas, haveria uma completa escassez de recursos no planeta. A solução apontada foi a do controle da natalidade. No início do século XXI essa mesma teoria malthusiana volta a estar de moda. É o neomalthusianismo. Desta vez ela vem disfarçada com uma nova roupa, a do “ecologismo”, e com traços apocalípticos – como se o homem fosse o único mal da terra e esta estivesse a ponto de ser destruída. Como esclarece o Padre Helio Luciano, em recente entrevista concedida a agência de informação Zenit, chegamos à geração “Avatar” –que exalta a ecologia ao mesmo tempo em que mata seus próprios filhos. O problema é que neomalthusianismo faz muito sucesso na grande mídia. Criou-se uma espécie de lugar comum que diz que repórter “moderno” e “esclarecido” prega abertamente o discurso apocalítico do neomalthusianismo. Um discurso de controle da natalidade. Só para se ter uma ideia do problema, recentemente uma grande rede de TV no Brasil fez uma série de matérias alarmistas dizendo que o planeta Terra está lotada que não cabe mais ninguém. Essa série de matérias chegou ao ponto de elogiar o rígido controle da natalidade realizado na China. Um controle que pune os indivíduos com pesadas multas, com a prisão, tortura e até mesmo a morte. Num contexto como esse, um filme como Bella não atrai a atenção da grande mídia.
O quarto e último motivo é a falta de mobilização, de cobrança por parte dos movimentos pró-vidas e pró-família. É comum os movimentos pró-vidas e pró-família criticarem a programação alienante e favorável a cultura da morte que é exibida na TV e nos cinemas. Essa é uma cobrança importante que precisa ser aprofundada. No entanto, não se pode apenas ficar criticando a grande mídia. É preciso trabalhar junto com ela. É preciso conquistar a confiança da grande mídia. Uma das formas é lutar, até mesmo com aporte financeiro, para que canais de TVs passem a exibir, em sua programação normal, filmes e programas com conteúdo pró-vida e pró-família. O filme Bella é um ótimo produto midiático para ser oferecido às redes de TVs. É preciso ter coragem, ser audacioso. É preciso aproveitar o grande sucesso do filme Bella para negociar com as redes de cinema e TV uma programação mais voltada para a vida e a família.
ZENIT: Qual a relação entre o filme Bella e a cultura da vida, de valorização da família?
IVANALDO SANTOS: Pode-se dizer que há uma relação de 100% de proximidade. O filme não segue o esquema proposto pela cultura da morte, ou seja, moça pobre, trabalha de garçonete em um restaurante, descobre que está grávida e, por causa desses fatores, faz um aborto. É preciso recordar que atualmente, devido à grande influência do neomalthusianismo, tenta-se criar um lugar comum que diz que toda moça pobre tem que abortar. É como se os pobres não tivessem responsabilidade e condições morais de ter e criarem seus próprios filhos. Esse tipo de discurso é altamente discriminador e concede grandes benefícios aos ricos e à classe média. Em um mundo onde se fala tanto em inclusão social o filme Bella é um exemplo de inclusão, pois promove a inclusão do feto, do nascituro, justamente o grande excluído da propaganda midiática, das políticas do governo e da agenda das Organizações Não Governamentais (ONGs). Além disso, o filme inclui a família, berço de toda a dignidade humana. Logo a família tão desprestigiada em nossos dias. Trata-se de um filme que não pode ser colocado na categoria de “conto de fadas”, mas é um filme que valoriza a família, a vida e a natalidade. São valores eternos e que precisam estar no centro dos debates da mídia, do governo e da Igreja.
ZENIT: O que dizer para alguém que não assistiu ao filme Bella?
IVANALDO SANTOS: Inicialmente é preciso ter convicção que dificilmente o filme vai passar na TV em horário nobre. A não ser que algum milionário, algum mecenas, pague a exibição. Partindo desse pressuposto, afirma-se que o filme Bella precisa ser visto por todas as pessoas. Sejam elas jovens, velhos, solteiros, casados, pessoas que abortaram ou que pensam em abortar. É um filme muito realista. As cenas e diálogos do filme podem ser encontradas, de forma real, na maioria de nossas cidades. Por isso, é preciso que todo mundo se esforce para ver e divulgar o filme. As pessoas devem adquirir o DVD com o filme e assisti-lo em casa ou no trabalho com os parentes e amigos. A Igreja deve fazer todo o esforço possível para difundir o filme Bella. Vamos exibir o filme nas paróquias, capelas, nas escolas e demais lugares que estejam sob administração da Igreja. O filme Bella trata-se de um dos melhores presentes que o cinema deu à cultura da vida e à valorização da dignidade da pessoa humana. Temos que lutar para que ele seja assistido pelo maior número de pessoas possíveis.